segunda-feira

Banzo, de novo...

Eu tenho dessas coisas. Mais do que gostaria. Acho que é a proximidade da minha idade nova. Acho que é a inconstância da vida. Acho que estou escutando Alanis Morisette demais.
E daí não tenho vontade nenhuma de escrever. É destes momentos na vida em que preciso de um tempo para me ouvir e tomar o rumo de quem sou... E recentemente fiz algo que não fazia há séculos. Um poema (ou alguns). Falando de amor. Ei-lo(s):

Um pedaço dos teus olhos
Ficou em minha visão do mar
Um rumor de tua língua
Contorna a minha palavra
Na textura de teus dedos
Vivem os extintos fios
De meus cabelos

Em tudo que é nada
Jaz o tempo do que fomos
Guardado no coração mínimo
E escuro
De uma concha marinha.

*

Tudo que é ínfimo
E não cabe na intensidade da distância
Tudo que é perda
Renovando a incessante partida
Trago esse relicário
Atado ao peito
Em pontos cheios
E assim te preservo
Para te perder um pouco mais
A cada dia.

*

Esse amor retesado no peito
Penitência clara
Cheio de vincos
De estrias e vigas velhas.
De musgos alardeando
Histórias semi-esquecidas

Esse amor carcomido
Sem dotes, sem pecha
Sem dom, sem batismo

Trincado no vidro
Fadado na alma
Abatido prematuro
a tiros

Esse amor que gostaria de ter nascido.

10 comentários:

camille disse...

Ah, você voltou! Estava com saudade. Mas entendo mesmo, a coisa toda da falta de vontade. Eu ando escrevendo bastante até, ataquei, mas nada publicável no mundo dos blogs.
Se soubesse comentar poemas com a intensidade e profundidade que o teu merece, comentaria. Vou ficar só no lindo mesmo - que é sincero, você sabe. "E assim te preservo
Para te perder um pouco mais
A cada dia", amei.
E se você gosta de receber parabéns (eu gosto mais ou menos, odeio/amo fazer aniversário) me diz a data depois.
Beijinhos.

Sara disse...

Entendo a sua ausência, mas sinto falta das suas palavras, histórias, enfim....li e reli, achei bárbaro. Me vi ali em cada estrofe acabada. Lindo.
Bjs.

Off topic:
Sobre o 'me and you...' aquela frase mata a pau mesmo. É sensacional o filme. Tens que ver.
Nas minhas férias do ano que vem, vou a Brasília, faço questão de tomar um chopp contigo. =)

Mani disse...

Esse verso último me pegou em cheio: esse amor que gostaria de ter nascido.

Sara_Evil disse...

Te leio de novo, não pertuba o banzo, reconheçe-o como a base de mudanças que colvulsionam-se diante o que há por vir, teus versos cativam, mostram a façe amorosa de tua luz....shine on!

Saudade!
Banzai!

S_E

Ingrid Littmann disse...

Senhora da Lua, tô achando que esse coração esta enamoradooooooooo. Será?

beijos

Lou Salomé disse...

O poema é lindo, adorei! Essa intermitência do amor! E eu também tenho minhas fases de ficar quieta e pensativa. Mas a diferença é que desses momentos não nascem poemas tão fortes. Aliás, não nasce poema algum, só dor remoída... Beijos

Laura disse...

Lindo poema.
Eu acabei sorrindo com a Lou :)
vcs me distraem na vida, ou da vida?
Não preciso dizer que caiu como uma luva o poema, vou copiar :) Vc é poeta, eu não sou, nãosei fazer metáforas.

E ai, está preparando o bolo?

Camille, é amanhã.

Bjs laura

Laura disse...

Dai querida
FELIZ ANiVERSÁRIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bjão, Laura

Lidiane disse...

É o inferno astra.
E, pela data de hoje, já passou seu aniversário, então, ele também já passou.
Passado ficou pra trás e agora, vejo um dia maravilhoso pra você.
;)

Beijo, beijo.

Julie disse...

Lindo, sim.
Mas triste.
Sei que nesse coraçao se escondem muitas alegrias.
Beijo